A Crise Brexit – União Europeia: Imperialismo decadente

Jan 20, 2019 | Europa

O bloco da “troika” exploradora se encontra submerso na incerteza. Há um terceiro caminho, alternativo ao “pró-europa” e o “eurocéptico”. 

Na terça-feira (14) será uma data muito lembrada para a Primeira Ministra Theresa May já que sofreu uma grande derrota parlamentar na votação do acordo do Brexit que havia alcançado com a UE: com 432 votos contra e 202 a favor.

Mesmo sendo um debate de uma derrota anunciada, May tentou desesperadamente torcer esse caminho. Argumentou que um novo referendo quebraria a confiança na democracia; que uma renegociação com a UE seria impossível e que a realização de eleições gerais só geraria mais problemas.

Por sua parte, Jeremy Corbyn defendeu voto contra o do Partido Trabalhista e pediu o adiantamento das eleições. “Os cidadãos necessitam recuperar o controle da situação e novas eleições lhes permitirão eleger novos deputados, novo Governo e um novo mandato para voltar a negociar o acordo com a UE”.

A esmagadora rejeição do Parlamento aprofunda a crise no Reino Unido e na União Europeia, expressando a decadência imperialista e uma perspectiva repleta de incógnitas já que o Brexit está previsto para o dia 29 de março, chamado como Dia D. [1]

CAPÍTULO II: MOÇÃO DE CENSURA

O resultado deixou uma ferida mortal na primeira ministra frente à moção de censura apresentada por Corbyn. Porém, nesta ocasião os votos a favoreceram, com 325 votos a 306. Não é uma grande diferença, mas se apega a ela para não renunciar.

Superou a moção porque seus sócios ultraconservadores lhe responderam favoravelmente e a oposição (Trabalhista, liberais, nacionalistas escoceses e galês, e o único deputado Verde) querem evitar a realização de eleições com resultado incerto.

A crise se deve ao fato que há um plano rejeitado e não existe uma alternativa com apoio majoritário. Enquanto isso, May encabeça um governo do Partido Tóri muito fragilizado, de mortos vivos e as exigências da UE por uma definição se transformam em um eco no vazio.

MAR TURBULENTO, SEM REBOCADOR NEM FAROL

Depois da votação, publicamente, todos mantêm suas posições, ainda que nos bastidores circulam possíveis contrapartidas a se oferecer.

May sustenta os limites de sua postura que chama “Linhas vermelhas”: “Controle das fronteiras, as leis e o dinheiro, não ao mercado único e a união aduaneira, capacidade para que o Reino Unido firme seus próprios tratados comerciais, não à extensão do prazo de negociação, não à um segundo referendo e não à exigência ao governo britânico para que descarte de antemão a possibilidade de uma saída sem acordo”.  Também conversa alternativas com distintos setores, inclusive com eurocépticos de seu próprio partido. Se comprometeu a apresentar um novo roteiro na próxima segunda-feira, ninguém sabe no que consiste.

Corbyn não está dialogando com May, mas um setor de seus deputados sim o fazem.  O líder da oposição declarou: “Com a possibilidade de um Brexit sem acordo sobre a mesa, a primeira ministra se dispõe a empreender conversas falsas com o propósito de que o relógio avance, e poder assim chantagear aos deputados para que respaldem seu acordo desleixado numa segunda votação, e ameaça assim todo o país com o caos que seria um Brexit assim.” 

Por seu lado, a UE é consciente que fica em perigo a unidade mantida por seus integrantes durante quase dois anos de negociação com Londres. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, advertiram sobre a urgência para que o Reino Unido apresente seu Plano B, sugerindo inclusive o cancelamento definitivo do Brexit. “Se o acordo é impossível e ninguém quer sair sem acordo, quem terá finalmente o valor de decidir qual é a única solução possível? 

Existem distintos focos dos países sobre o que fazer, estão influenciados pelos laços econômicos e políticos que os respectivos países mantenham com o Reino Unido. O certo, é que seja qual for a definição, o bloco imperialista segue expressando suas limitações e incongruências.

OUTRO RUMO

Amplos setores dos trabalhadores e o povo votaram favoráveis ao Brexit, fartos dos ajustes e atropelos da UE [2]. A indispensável saída da UE não deve implicar que o custo seja pago pelos pobres, já pagaram de sobra ao bloco. É um desproposito pagar indenizações ou aceitar imposições por ter decidido democraticamente em uma votação, Nenhum centavo para a UE! É a troika que está em dívida com o povo trabalhador.

Por outro lado, May tem deixado exposto seu fracasso, não deve seguir governando. Já demostrou seu fracasso e ainda pode piorar. Que saía agora mesmo! Corbyn defende que May deve renunciar e que deve se convocar eleições gerais, algo que não pode se descartar.

Porém, a crise, a necessidade de um debate e uma decisão mais generalizada sobre o rumo que será adotado, excede a eleição de um novo líder. É preciso avançar para uma reorganização social, política e economia na que o povo debate e decida sobre todos os temas.

Alguns dos pontos centrais a definir deveria ser: nacionalização dos bancos e o comércio exterior, controle dos trabalhados da produção e comercialização que permita satisfazer as necessidades populares, garantia de liberdades democráticas plenas e unidade internacionalista com os trabalhadores e os povos do mundo, em primeiro lugar, da Europa.

Tanto para as tarefas imediatas como para as de transição, o fundamental é que irrompa outro protagonista: a classe trabalhadora europeia, mobilizada para impor outras condições para as grandes maiorias.

O bloco imperialista está dominado pela “troika” que integram à Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Foi forjado para favorecer as grandes potencias, os banqueiros e financiadores, para explorar a classe trabalhadora e oprimir seus povos sobre a base de ajustes brutais, liquidação do Estado de Bem-Estar e a perda de conquistas sociais.

Nós estamos na defesa de uma Federação Livre de Repúblicas Europeias, nas que governem os trabalhadores e o povo com regimes democráticos e economias socialistas. Esta posição nos separa nitidamente dos “eurocépticos” e “pró-europeus”, cujas diferenças táticas se limitam à como aplicar medidas eficazes para sustentar o capitalismo, submeter ao povo trabalhador, aos jovens, aos aposentados e aos imigrantes e as mulheres.

Lamentavelmente, a ira dos povos com as políticas de Bruxelas não está sendo capitalizada pelos setores de esquerda ou centro-esquerda que abandonaram a luta contra o bloco, o exemplo mais claro é a traição do SYRIZA, na Grécia. Este tipo de deserções lhes facilita no caminho à expressões de direita e ultradireita com programas reacionários. Em definitivo, na necessária construção de alternativas políticas anticapitalistas, revolucionárias e socialistas.

Manel Lecha

https://www.lavanguardia.com/internacional/20181217/453589817780/diccionario-brexit-salida-gran-bretana-union-europea.html
https://mst.org.ar/2017/04/03/crisis-en-imperio-britanico-union-europea/