A Maduro o povo não quer e ninguém elegeu Guaidó

Jan 24, 2019 | América Latina

Apenas o povo soberano e mobilizado pode decidir seu destino, com referendo e eleições gerais 

O povo mobilizado na rua, em simultâneo com todos os setores sociais, e saindo para protestar nos bairros pobres, está demonstrando que não suporta mais o governo de Maduro. As pessoas já não estão dispostas a tolerar mais a política de fome e de destruição dos direitos trabalhistas, assim como o fato da retirada do direito à saúde ante a falta de remédios e insumos, a degradação dos serviços públicos, a corrupção extrema e a repressão cotidiana.

Isto explica que grande parte da população tenha atendido ao chamado de mobilizar-se com as marchas convocadas pelo autoproclamado Guaidó, mas não porque esteja disposta a reconhecer a qualquer pessoa que queria alçar com o “coroto”[1], mas porque amplíssimos setores de nosso povo há tempo estão fartos e não querem seguir aguentando mais. Inclusive, os que trabalham no setor público, que se mantêm calados ou vão forçamos para as mobilizações do governo, para evitar retaliações que lhes possa afetar em seus trabalhos, recebimento das caixas CLAP  ou que possam colocar em perigo suas casas da Missão Moradia. Os comentários, chavismo a dentro, são de cansaço e grande incomodo, pouco a pouco vão perdendo o medo.

Os trabalhadores e o povo não conseguiram ter uma alternativa própria e independente, que represente seus reais interesses e angustias, pelo que tem ficado preso entre a burocracia e o capital. O resultado disso é que se reinstala a polarização, entre os políticos de um governo corrupto que controla o poder e os parlamentares de partidos dos grandes empresários que exploram os trabalhadores.

Porque, os patrões que financiam e promovem os partidos de oposição de direita tradicional, também se beneficiam e pagam os miseráveis salários impostos pelo governo de Nicolás Maduro-PSUV-Militares. E não tem outra proposta econômica que não seja a de jogar a crise sobre o povo enquanto asseguram seus lucros e seus negócios.

Eles, a partir da AN, pretendem levantar-se em um novo governo e utilizar a seu favor as energias do povo, porque não temos organizações próprias e fortes que liderem a luta contra o nefasto governo de Nicolás Maduro. Mas a AN e os EUA não são os que vão impor governos ao povo venezuelano. Maduro tampouco. Todos são usurpadores e disputam e o controle do Estado é disputado para que o povo seja subjugado e explorado.

Nossos sindicatos e organizações populares estão em grande parte destruídos, corrompidos ou contingenciado ao aparato do Estado, e outra parte tem cedido sua independência política em favor dos dirigentes da classe rica que nos explora.  Por isso não se consegue sair da armadilha autoritária de Maduro e agora cai na armadilha golpista de Guaidó (do partido Vontade Popular), autorizado pelos Estados Unidos, que joga em favor de seus interesses, contrários aos da Nação venezuelana.

Agora estamos correndo o risco de que o confrontamento entre dois governos paralelos, ambos ilegítimos, e um deles apoiado pelos Estados Unidos, possa acabar em uma guerra civil ou em formas de intervenção imperialista mais diretas do governo de Trump. Também é preciso alertar que a cada tentativa da direita o governo da burocracia aproveita para começar uma onda repressiva para atacar mais o povo e calar todo o protesto.

Diante de tudo isso, a Marea Socialista chama para seguirmos mobilizados e protestando contra o governo opressor, mas o povo e a classe trabalhadora temos que nos mover com nossa própria agenda e não atrás dos parlamentares da direita nem da burocracia do PSUV, assim como tampouco podemos aceitar imposições vindas do exterior.

A Marea Socialista chama para que nos juntemos todos aqueles e aquelas que entendemos a necessidade de construir nossa própria organização de luta, para levantar uma nova referencia política de nossa classe e dos distintos setores do povo que sofre, que possa fazer valer nossos próprios interesses e direitos.

  • A Maduro o povo não quer e Guaidó ninguém o elegeu.
  • Referendo que consulte o povo para re-legitimar todos os poderes (Art. 71 CRBV).
  • Renovação do CNE para que recupere sua independência e convoque eleições gerais.
  • Por um plano de emergência em favor dos trabalhadores e o povo para enfrentar a crise, recuperar o salario e ter acesso à comida.
  • Não à entrega da soberania.
  • Não ao intervencionismo e a ingerência dos EUA e do Grupo de Lima.
  • Sigamos na luta por nossas condições de vida: salários, direitos trabalhistas, serviços públicos, direitos democráticos.
  • Nem golpe nem negociações pelas costas do povo.
  • Autonomia política dos trabalhadores e setores populares.
  • Não sigamos mais os políticos da burocracia governante nem aos políticos dos capitalistas.
  • Nem burocracia, nem capital!
  • Que saiam todos.
  • Que o povo mobilizado exerça  sua soberania.
  • Não à repressão: liberdade dos presos por lutar, respeito aos direitos humanos.
  • Por um governo dos trabalhadores e o povo, não da burguesia nem da “roja-rojita”.–

Marea Socialista

[1] Expressão venezuelana.